07 October 2006

MURMURAÇÃO: ONDE COMEÇA E COMO TERMINA

Rogério Bernini Junior
Olho para a igreja do século vinte um, e vejo um povo adormecido que não percebe o que esta acontecendo em sua volta. É um pouco estranho dizer isto, mas as pessoas, sejam da sociedade urbana ou da área rural tem sido afetada pelo pos-modernismo que assola e corroe a igreja de Cristo.
Bem, o que isto tem haver com o texto de Números no capitulo onze, que em seu contexto, trata da murmuração do povo de Israel no deserto Parã? Qual seria a relação deste episodio com a situação da igreja de hoje?
Primeiramente precisamos entender o que se passa no livro de Números quanto à situação do povo de Israel para compreendermos este assunto. Podemos dizer que, no livro de Números, Moises tem intenção de registrar alguns fatores históricos importantes na organização política, econômica, militar e religiosa do povo de Israel.
Podemos encontrar o senso demográfico do povo, a situação em que eles estavam vivendo em meio a saída do Egito caminhando para a terra prometida atravessando o deserto entre estes dois pontos geográficos. Temos também em Números, o registro das leis que Deus continua a passar para Moises e seguidamente, para o povo cumpri-la.
No contexto histórico deste texto, o povo saiu do deserto do Sinai e durante a sua caminhada chega ao deserto de Parã. A situação do povo não é das melhores já que, estavam em condições deplorável como afirma o versículo um; queixou-se o povo de sua sorte aos ouvidos do SENHOR. A palavra escrita no hebraico dá idéia de uma situação miserável e totalmente desesperadora. Podemos dizer que, aos olhos do povo era uma situação injusta.
É bem claro o que o texto nos mostra como tema central; A murmuração. Mas, quando me deparei com ele, me veio três perguntas em minha mente quanto a queixa que o povo fez diante de Deus. A primeira diz respeito a origem da murmuração na vida do povo de Israel, a segunda pergunta diz respeito de como Deus reagiu em relação a murmuração do povo e a terceira, qual a conseqüência da murmuração na vida das pessoas.
Antes de falarmos sobre estes três pontos, é necessário analisar como era a provisão do sustento da nação israelita no deserto. Nos versículos sete, oito e nove o autor registra que Deus fazia descer do céu o maná. No hebraico, a palavra tem origem no verbo manah que significa distribuir e na expressão man que significa o que é isto? (porque quando o povo viu o maná perguntou: o que é isto?).
Podemos dizer que estes versículos mostram a provisão de Deus para com o seu povo. Vemos aqui a providência de Deus para com o povo de Israel. Toda à noite, Deus mandava do céu o maná, um tipo de alimento parecido com sementes de coentro (uma espécie de semente usada para temperar) e de bdelio (uma resina transparente macia e cheirosa).
O maná representa a providencia de Deus para com o seu povo, ou seja, Deus controlava, governava e sustentava seu povo para não morrerem de fome e saber que deveriam seguir unicamente a Iahweh.
Algo que me faz pensar diante deste dado fornecido no texto, é por que, então, o povo murmurava a Deus quanto a sua situação, já que Deus não deixava o povo passar fome e nem sede, nem permitia que eles ficassem desamparados no meio do deserto?
Olhando para a parte “a” do versículo um; queixou-se o povo de sua sorte aos ouvidos do SENHOR, temos a resposta para a primeira pergunta. O inicio da murmuração do povo estava em desviar a sua visão da vontade de Deus. Olhando para este versículo percebemos que a palavra “queixou-se” esta implicando em uma murmuração e não em um lamento.
Deus sustentava seu povo através do maná, e o que podemos entender como queixar-se, é a murmuração gerada por sua insatisfação e por uma motivação errada. Na caminhada pelo deserto, o povo israelita não estava sozinho, mas outras nações e povos viviam por ali. Ao observarem estes povos ao seu redor, os israelitas desejavam copiar o modo de vida e de governo, queriam abandonar a sua religião para abraçar os rituais religiosos destes povos pagãos.
Diga-se de passagem, toda esta motivação pode ser originada a partir da influencia cultural do povo egípcio. O Egito era considerado uma grande potencia militar, política e tecnológica para a época. Os hebreus viveram no Egito por quatrocentos anos, assim, estavam contaminados com a cultura egípcia.
Isto me faz refletir no que Paulo escreve a igreja de Filipos: Assim, pois, amados meus, como sempre obedecestes não só na minha presença, porém, muito mais agora na minha ausência, desenvolvei a vossa salvação com temor e tremor; porque Deus é quem efetua em vós tanto o querer como o realizar, segundo a sua boa vontade. Fazei tudo sem murmurações nem contendas; para que vos torneis irrepreensíveis e sinceros filhos de Deus inculpáveis no meio de uma geração pervertida e corrupta, na qual resplandeceis como luzeiros no mundo. (Filipenses 2. 12 – 15). a realidade que Paulo escreve reflete a mesma do povo de Israel no deserto de Parã. O que Deus quer de seus filhos é que diante do que o mundo pervertido tem oferecido como opção de vida e de satisfação pessoal deve ser rejeitado e que estes filhos sejam obedientes a vontade do Pai.
Diante do que falei na introdução deste sermão quanto a igreja estar adormecida da realidade em que ela vive, pensei numa droga alucinógena; o ópio. Droga esta que, além de provocar alucinações espontâneas, também produz uma certa dormência em que o dependente dela só enxerga o que acontece em suas alucinações, mas a realidade nua e crua de sua situação ele não tem consciência ou não quer aceitá-la. Assim, ele não percebe no abismo que esta entrando.
Desta forma, também acontece com a igreja de hoje. O povo tem desejado o ópio que adormece os crentes de sua cruel realidade e tem estado adormecida diante da vontade de Deus para suas vidas.
Tudo isto me faz lembrar como era no inicio de nossas conversões. Deus nos tira da escravidão do pecado e nos faz caminhar para a terra que ele nos prometeu e passamos pelo deserto que está entre o Egito e a terra prometida. Éramos empolgados, vivos em nossas convicções sobre o que professávamos crer. Tínhamos o que João diz à igreja de Éfeso: o primeiro amor. Espíritos renovados com forças que até mesmo nos surpreendia em nossas atitudes corajosas de desafiar qualquer princípio que caminhasse contra a nossa fé. Dizíamos ter força para atravessar o deserto que estava entre a terra que Deus nos prometeu quando nos chamou para Ele.
Mas, infelizmente, quando chegamos no meio do deserto, desviamos a nossa visão da terra prometida para observar e desejar invejosamente o que os outros povos tem experimentado como cosmo visão de mundo. Este desejo nos da uma motivação errada em continuar a caminhar no deserto e isto nos distancia da vontade de Deus. Quando vem os problemas e as crises em nossas vidas começamos a murmurar diante de Deus. A murmuração se torna a válvula de escape para descontar a nossa frustração e todos e tudo ao redor e principalmente em Deus.
Nós como igreja do Cristo, temos permitido a cosmo-visão do pos-modernismo entrar em nossas casas e templos. Como disse uma vez o escritor e teólogo Philip Yancey: estamos transformando as nossas tendas de encontro com Deus em prostíbulo, o dizimo transformado em dividendos, milagres transformados em marketing, santa-ceia transformada em comes e bebes, sexualidade transformada em licenciosidade, força moral transformada em força numérica e graça transformada em libertinagem.
É isto que tem acontecido conosco. O grande problema é que não estamos atentos a estas filosofias pagãs adentrando em nossas igrejas e todos os problemas que tem surgido em nosso meio, em vez de entendermos qual a vontade de Deus para nossa vida e qual a nossa realidade quanto a estas crises, murmuramos e nos queixamos acusando sempre os outros , mas nós mesmos não estamos errados.
Desta forma perguntamos: Qual é a reação de Deus em relação a murmuração? Vejamos o que diz ainda o versículo um e também o versículo dois: ouvindo o SENHOR acendeu-se-lhe a ira, e o fogo do SENHOR ardeu entre eles e consumiu extremidades do arraial. Então o povo clamou a Moises, e orando este ao SENHOR, o fogo se apagou. Pelo que chamou aquele lugar Taberá, porque o fogo do SENHOR se acendera entre eles.
Diante desta pergunta podemos ver que Deus se ira com quem murmura. Podemos usar a lógica para chegar a esta conclusão. Deus odeia o pecado. Murmuração é pecado. Logo, Deus odeia a murmuração.
O autor usa o fogo como instrumento de disciplina e castigo ao povo por murmurarem contra Deus. Isto dá a Idéia de que Deus consome como fogo os que murmuram contra Ele. Devemos lembrar que o fogo é um elemento da natureza usado para consumir e destruir aquilo que esta em sua frente. Assim é a reação de Deus em relação a murmuração. Ele consome o pecado da murmuração.
O fogo também é um elemento essencial para tornar algo sensível e mole para ser moldado como o aço e o ferro. O fogo pode ser usado para a purificação de algum elemento que tem misturas em sua essência e que pode ser purificado. Assim é quem murmura. A murmuração nos torna pessoas de coração duro e cega os nossos olhos diante do que se passa ao nosso redor. Deus nos coloca no fogo para sermos purificados e moldados por Ele.
O fogo é também a justiça de Deus para aqueles que não existem possibilidade de serem consertados e purificados. Deus consome com a sua justiça aqueles que se tornam rebeldes a Ele. Assim como o fogo consome o que estiver ao seu alcance e o torna inexistente, assim também é com aqueles que murmura e não aceitam ouvir a voz de Deus e se viram contra Ele.
Mais uma vez, fazemos referencia a carta de Paulo aos Filipenses: Assim, pois, amados meus, como sempre obedecestes não só na minha presença, porém, muito mais agora na minha ausência, desenvolvei a vossa salvação com temor e tremor; (Filipenses 2. 12), podemos ver que Paulo se preocupa em mostrar a igreja de Filipos a seriedade e a responsabilidade de não desobedecerem a vontade de Deus.
A salvação não deve ser levada na brincadeira e sim com seriedade. Paulo enfatiza esta implicação com as palavras temor e tremor. Deus é um Deus que não admite que brinquem com Ele. a murmuração leva as pessoas a não compreenderem a seriedade do Juízo de Deus sobre suas vidas.
Romanos 1. 28 ao 32: E, por haverem desprezado o conhecimento de Deus, o próprio Deus os entregou a uma disposição mental reprovável, para praticarem cousas inconvenientes., cheios de toda injustiça, malicia, avareza e maldade; possuídos de inveja, homicídio, contenda, dolo e malignidade; sendo difamadores, caluniadores, aborrecidos de Deus, insolentes, soberbos, presunçosos, inventores de males, desobedientes aos pais, insensatos, pérfidos, sem afeição natural e misericórdia. Ora, conhecendo eles a sentença de Deus, de que são passiveis de morte os que tais cousas praticam, não somente as fazem, mas também aprovam os que assim procedem. (Romanos 1. 28 – 32).
Apesar do texto não falar especificamente sobre a murmuração, mas vemos claramente o que acontece com aqueles que, são soberbos, insolentes, exageram em suas queixas, são rebeldes e não aceitam ouvir ninguém. Estes serão sentenciados a morte. Estas são também características de quem murmura. São pessoas insatisfeitas consigo mesmo e se tornam tudo isto que Paulo fala.
Quem nunca reclamou da liderança de sua igreja diante do fraco crescimento de membros ou do decréscimo de membros de sua igreja. Normalmente colocam a culpa no conselho e no pastor. Quantas igrejas não trocam de pastores durante o ano preocupado em gerar membros sem qualidade de vida espiritual, assim como, muitos fazendeiros que plantam sementes modificadas geneticamente para que possam ter uma colheita rápida e com bastante resultado quantitativo e financeiro. O grande problema esta justamente nestes frutos colhidos. Estão contaminados com produtos químicos que podem contaminar e prejudicar a saúde de muitas pessoas.
Assim é a igreja de Cristo quando se preocupa em encher seus templos de pessoas como sementes que estão geneticamente modificadas e cheio de produtos químicos que vão prejudicar a saúde da igreja. Esta igreja será inchada com a química das filosofias pos modernistas que estão tornando a noiva de Cristo doente e fraca.
Devemos entender que Deus odeia a murmuração e Ele traz punição àqueles que murmuram contra Ele. a igreja tem entristecido o coração de Deus diante das calunias que ela tem feito e do comportamento que tem tido diante do contexto em que vive. Deus não tem se agradado do que muitos crentes têm provocado por meio de contendas que iniciam através da murmuração.
Já ouvi por ai que, as divisões denominacionais que acontecem é ação de Deus em multiplicar a igreja de Cristo. Não concordo com esta afirmação considerada para mim, antibíblica e herética. Deus não concorda e nunca promoveu a divisão entre o seu povo. O problema é o coração soberbo do homem em não admitir os seus erros e pecados e transformá-los em instrumentos de calunia diante da incompetência e fracasso dos crentes que perderam a visão correta do porque servem a Deus.
Transforma o seu fracasso em murmurações que não agradam ao coração de Deus e Ele acende a sua ira sobre os que murmuram porque não levam a obra de Deus a sério e endurece os seus corações para não ouvirem a voz de Deus para reconhecerem a sua realidade cruel que os cerca.
Uma ultima questão que quero explorar no texto de números 11 é como termina o processo da murmuração? Sendo mais enfático poderíamos perguntar da seguinte forma: Qual a conseqüência de quem murmura? Ou, qual o fim de quem não para de murmurar?
Lendo os versículos quatro, cinco e seis: E o populacho que estava no meio deles veio a ter grande desejo das comidas dos egípcios; pelo que os filhos de Israel tornaram a chorar e também disseram: Quem nos dará carne a comer? Lembramo-nos dos peixes que, no Egito, comíamos de graça; dos pepinos, dos melões, dos alhos silvestres, das cebolas e dos alhos. Agora, porém, seca-se a nossa alma, e nenhuma cousa vemos senão este maná.
Diante deste texto temos a resposta para esta ultima pergunta: a murmuração leva a pessoa a desejar a prática do pecado de novo. Este é o maior perigo para quem não percebe a onde a murmuração pode levá-lo. Nestes versículos primeiro percebemos que o povo começa a lembrar do que eles comiam no Egito; os peixes, os alhos, as cebolas, etc.
O problema é que o povo todo começou a alimentar estas lembranças que deveriam ser apagadas de suas vidas. a insatisfação do que eles tinham gera neles arrogância em exigir a Moises e a Deus que providenciassem carne ao povo. Isto mostra que o povo estava desprezando o sustento de Deus para eles. A questão não era a carne em si, mas a forma como pediam e a motivação que os fazia ter tal petulância para exigir de Deus o que eles queriam.
Como foi dito no contexto histórico do texto, o maná representava o sustento de Deus para com o povo. O sinal de que Iahweh era o Deus da providencia. Aquele que sustentava, governava e guiava o povo na sua caminhada para a terra prometida. Era Deus quem dava a visão ao povo quanto ao seu objetivo para não se perderem no meio do deserto. O problema é que eles sentiram vontade de olhar para os outros povos ao redor e olhavam para sua situação no deserto e queriam ser iguais a eles e aos egípcios.
Resumidamente, eles desejaram as comidas do período de escravidão e tormento, alimentavam este desejo com lembranças das comidas do Egito e desprezavam a providencia de Deus para seu sustento com o coração de ingratidão e revolta para com Ele.
Penso no que Paulo disse em Gálatas 5. 16 que diz: digo, porem, andai no Espírito e jamais satisfareis à concupiscência da carne. Basicamente, este versículo mostra que se estivermos andando nos preceitos e na vontade de Deus não daremos margem para desejarmos pecar.
O próprio Jesus disse uma vez a alguns judeus: Qual a razão do porque não compreendeis a minha linguagem? É porque sois incapazes de ouvir a minha palavra. Vós sois do diabo, que é o vosso pai, e querem satisfazer-lhe os desejos. Ele foi homicida desde o principio e jamais se firmou na verdade, porque nele não há verdade. Quando ele profere mentira, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso e pai da mentira (João 8. 43, 44).

mostra a realidade de muitos que não dão ouvidos a voz de Deus e ao evangelho de Cristo. Muitos nem se quer entende e compreende o que Deus desejado homem. Muitos se afundam no desejo do pecado e da mentira na qual o diabo é o pai.
A Confissão de fé de Westminster no capitulo seis diz:

I. Nossos primeiros pais, seduzidos pela astúcia e tentação de Satanás, pecaram, comendo do fruto proibido. Segundo o seu sábio e santo conselho, foi Deus servido permitir este pecado deles, havendo determinado ordená-lo para a sua própria glória.
II. Por este pecado eles decaíram da sua retidão original e da comunhão com Deus, e assim se tornaram mortos em pecado e inteiramente corrompidos em todas as suas faculdades e partes do corpo e da alma.
III. Sendo eles o tronco de toda a humanidade, o delito dos seus pecados foi imputado a seus filhos; e a mesma morte em pecado, bem como a sua natureza corrompida, foram transmitidas a toda a sua posteridade, que deles procede por geração ordinária.
IV. Desta corrupção original pela qual ficamos totalmente indispostos, adversos a todo o bem e inteiramente inclinados a todo o mal, é que procedem todas as transgressões atuais.
V. Esta corrupção da natureza persiste, durante esta vida, naqueles que são regenerados; e, embora seja ela perdoada e mortificada por Cristo, todavia tanto ela, como os seus impulsos, são real e propriamente pecado.
VI. Todo o pecado, tanto o original como o atual, sendo transgressão da justa lei de Deus e a ela contrária, torna, pela sua própria natureza, culpado o pecador e por essa culpa está ele sujeito à ira de Deus e à maldição da lei e, portanto, exposto à morte, com todas as misérias espirituais, temporais e eternas.

Vemos neste capitulo da Confissão de Westminster todo o processo da entrada do pecado na vida do homem. E que, infelizmente, o pecado nos tornou pessoas indispostas e totalmente inclinados aos desejos da carne e do mal. E através do mal que procede todas as nossas atitudes pecaminosas contra Deus.[1] Os Cânones de Dort falam da situação do homem quanto ao pecado e a conclusão que ela chega é que o homem é totalmente depravado e mal. Ele só deseja o que desagrada e ira o coração de Deus. A sua mente é maliciosa e impura.[2]
O que podemos dizer diante de tantas afirmações a respeito desta questão do pecado na vida do homem. Basicamente, o crente que tem na sua vida desejo de pecar usa a murmuração como meio para chegar a ela. O pecado tornou a vida de muitas pessoas como a opção mais fácil.
O escritor de hebreus vê em seu contexto uma realidade parecida com os dias de hoje. Muitos judeus cristãos estavam querendo voltar as praticas antigas da religião judaica. Mas, sabiam que elas não eram mais validas diante do sacrifício de Cristo. Tiago também visualiza uma igreja de sua época conturbada com as provações e perseguições que a afligia. O problema era muitos destes cristãos que sentiam um enorme desejo de voltar ao paganismo (se fosse gentio), e a religião legalista dos judeus (no caso dos judeus). A igreja de hoje não é diferente. Nos sentimos atraídos pelos prazeres e facilidades que o mundo nos oferece. Somos levados a alimentar as nossas lembranças do passado de escravidão e opressão maligna e desprezar o que Deus tem proporcionado de melhor para nós.
O que Deus mais quer de sua igreja é que, não nos contaminemos com as carnes sacrificadas a ídolos, dos peixes contaminados com as impurezas do mundo, dos temperos que dão um sabor falso e prejudicial a nossa saúde espiritual.
Deus quer que comamos do maná que é sadio e, vem de Deus. O maná é a providencia de Deus para o nosso sustento e alimento diante das provações e crises que vivemos. A igreja primitiva vivia desta maneira. Eles em meio as perseguições não se abalavam, mas se alimentavam do maná da palavra de Deus e a oração.
A minha oração diante desta realidade em que vivemos é que a igreja enxergue o que esta acontecendo com ela. Que a igreja de Cristo encare os desafios e problemas do deserto sem perder a visão do reino de Deus e sempre buscar a motivação correta que alimente a vida do povo de Deus a servi-lo visualizando a terra prometida.
Que Deus tenha misericórdia de nós diante do deserto que atravessamos todos os dias e nos deparamos com o que outros povos pagãos têm nos oferecidos como opção de vida e filosofia. Que a disposição em saber qual é a vontade de Deus para nossa vida seja evidente e que possamos buscar constantemente.
A murmuração é um instrumento pecaminoso que nos conduz a motivação errada, e nos distancia de Deus. Ela é rejeitada por Deus e Ele aplica o seu juízo sobre aqueles que murmuram e, se não cuidarmos, a murmuração nos conduzira aos desejos pecaminosos do pecado e nos distanciaremos de Deus.

[1] Confissão de Fé de Westminster, ed. Cultura Cristã. São Paulo, 2001. Capitulo VI: Da Queda do Homem, Do Pecado e do Seu Castigo. Paginas 57, 58, 59, 60, 61, 62, 63 e 64.
[2] Cânones de Dort, ed. Cultura Cristã, paginas 8 e 9.

Sermão pregado em junho de 2006

2 comentários:

ALANE RAYSSA SOARES FERNANDES said...

GOSTEI MUITO DESSE SITE FALANDO COMO COMEÇA E COMO TERMINA!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!




ASS:ALANE RAYSSA SORES FERNANDES

ALANE RAYSSA SOARES FERNANDES said...

GOSTEI DESSE BLOG É MUITO LEGAL!!!!!!!!