07 October 2006

UMA REFLEXÃO AOS QUE SÃO CHAMADOS PARA SER SANTO

Rogério Bernini Junior
Basicamente, sabemos que ser santo não é ser perfeitinho ou o ser caridoso com todos que aparecem em sua volta, mas é ser alguém chamado por Deus para ser separado do mundo do pecado para não mais pecar mas se tornar unido a Cristo por intermédio do Espírito Santo que aplica a obra redentora de Cristo em nós.Tudo bem, mas ser santo é somente isto?
No primeiro capitulo que Paulo escreveu para a igreja de Roma chama muita a minha atenção a sua saudação ou cumprimento àqueles irmãos. Parece simples demais ele se identificar como servo e apostolo de Cristo e depois de resumir a sua explanação sobre a pessoa de Cristo e a aplicação da obra da redenção, ele simplesmente chama os crentes de Roma de chamados para serem santos.alias, em todas as cartas que ele escreve, seja a quem for, Paulo os chama de santos ou amados em Cristo. Parece os dias de hoje quando um crente se encontra com o outro e diz: paz do Senhor irmão! Ou então... Graça e paz meu irmão, como vai?
Mas isto é muito mais profundo do que uma simples saudação aos Cristãos romanos. Paulo estava preocupado com a situação complicada que a igreja de Roma vivia. Os cristãos já estavam esgotados de tanto ouvirem que eles eram chamados para serem santos ou separados pelo Espírito Santo para não mais viverem em seus antigos costumes pagãos ou legalistas, mas para viverem uma nova vida em Cristo Jesus e com isso, eram pressionados pela perseguição do império romano e pela tentação de voltarem às antigas práticas religiosas legalistas e vãs, ou, pelo paganismo imoral e depravado da religião grego-romana.
Mesmo em sua saudação a estes crentes, Paulo quer lhes ensinar algo muito mais profundo do que venha ser santo. Primeiro, ele diz: Paulo, servo de Jesus Cristo, chamado para ser apóstolo, separado para o evangelho de Deus.
Analisando a palavra servo no grego, é doulós. O termo no original significa escravo. Paulo se identificou com um escravo de Cristo. Um escravo não tem nenhuma liberdade ou vontade, mas deve sempre obedecer e depender de seu dono. Alias, algo muito comum naquela época.
Com as guerras havia muitos escravos que eram levados pelo exercito vencedor para o serviço forçado. Parece soar como algo fora da lógica humana ser considerado um escravo de alguém, mas Paulo mostra que ser servo de Cristo é depender totalmente de Deus. Sempre servi-lo e obedece-lo como um escravo serve ao seu dono ou patrão.
Ser servo de Cristo é abrir mão da minha “liberdade” de quere satisfazer o meu coração depravado e permitir que Cristo tenha domínio total sobre a minha mente e as minhas vontades. Agora eu faço as vontades de Cristo e obedeço a Ele.
Mas não é só isto. Paulo também diz que ele foi chamado para ser apóstolo e separado para o evangelho de Deus. A palavra apóstolo era usada para identificar uma pessoa encarregada para realizar uma missão muito importante para alguém muito importante. Era uma honra ser enviado para uma missão especial. A pessoa que tinha esta função ou cargo era delegado a ele uma autoridade para tal missão.
Era desta maneira que Paulo entendia seu ministério a favor do evangelho de Cristo. Ele foi enviado por Deus para uma missão importante e tinha sido separado por para o evangelho com plena autoridade dada por Deus a ele. Não é em vão o texto expressar chamado para ser apóstolo e não como poderia ser ao contrario; Paulo, chamado apóstolo.
Existe uma grande diferença entre as duas expressões. Paulo ao dizer que era apóstolo, tinha autoridade dada por Deus para realizar sua missão de anunciar o evangelho de Cristo porque não só conhecia doutrinariamente, como também, vivia o evangelho que anunciava e defendia.
Uma mulher que praticava esoterismo e previsões para o futuro foi transformada pelo evangelho de Cristo e se converteu. Ela começou a pregar o evangelho a muitas pessoas, mas percebeu que ninguém se convertia. Ela entrou em crise por achar que alguma coisa estava errada com ela ou então ela seria castigada por Deus.
Muitas igrejas têm se procurado em cumprir muitos princípios como evangelizar, fazer missões, levar o povo a ter uma vida integra e obediente a Deus, mas diante de tantas coisas, estas igrejas não crescem ou não atingem suas metas e expectativas quanto ao seus objetivos.
O que dirá quanto da nossa vida pessoal com Deus, quando passamos por provações e chegamos a um determinado ponto em que, não conseguimos orar e quando oramos desabafamos com Deus o porque Ele não tem olhado para a nossa causa já que sou filho Dele.
Paulo estava preocupado com uma igreja que não entendeu qual o ponto que a santidade deve atingir em nossas vidas; a maturidade cristã. Se eu evangelizo, mas ninguém se converte e até me perseguem, não é este o objetivo de evangelizar, mas glorificar a Deus primariamente. Se a minha igreja não cresce diante de tantas estratégias e projetos traçados, não deve ser o alvo da igreja o resultado quantitativo, mas a manifestação da glória de Deus.
Paulo desejava ver a igreja de Roma vivendo uma maturidade cristã que os levasse a serem servos e ao mesmo tempo terem autoridade para continuarem sendo santos mesmo que passando o resto de suas vidas por tais sofrimentos.
Assim como Paulo disse que foi chamado para ser servo e que foi escolhido para ser apostolo, a igreja também foi chamada para ser santa; separada para serem servos e chamados para serem autoridades no que ensinavam e aprendiam na doutrina e também no que deveriam viver e praticar.
O nosso problema é transformar a santidade em um instrumento de prestigio próprio. A santidade que nos leva e ser crentes maduros e não infantis, é aquela que muitas vezes nos faz sofrer e pagar um preço, talvez, com a própria vida, se for preciso, em favor da causa do evangelho.
Paulo cita entre o verso dois até o verso seis, a obra que Deus realizou por intermédio de Cristo para nos salvar da condenação eterna. O próprio Cristo abriu mão de sua gloria celestial para ser humilhado e condenado pela própria lei que ele mesmo criou e obedeceu integralmente. Ele demonstrou de maneira prática que nos amava infinitamente e deveríamos seguir os seus exemplo de santidade. Cristo era real sim e não uma história de carochinha inventada pelos apóstolos.
A santidade que nos leva a uma maturidade espiritual imputada pelo Espírito Santo deve nos conduzir ao um principio claro e absoluto para nossa vida: tudo o que fizermos deve ser feito com o objetivo único de glorificar a Deus.
O meu anseio pessoal é que, as palavras de Paulo produzam em nós, o discernimento para compreendermos que, somos chamados de santos a buscar maturidade cristã sendo servos e obtendo autoridade da Parte de Deus para produzirmos frutos agradáveis a Deus. Frutos estes que não são as conversões por meio de meu testemunho, ou pregação, mas produzir frutos é saciar a fome de Deus, satisfazendo a sua vontade e os seus desejos. Saciar a fome de Deus é adorá-lo de maneira integra e completa, através do meu testemunho.
É isto que Deus deseja intensivamente de nós; maturidade para decidirmos o que é da vontade de Deus para o bom caminhar da nossa vida e da vida da igreja, trabalharmos na obra de Deus conscientes que primariamente tudo deve ser feito para a Sua glória e não para obter resultados que agrade as estatísticas e as pessoas ao nosso redor.


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